28 setembro 2011

Autoridades federais e estadual
Preocupados com Morro Alto

Preocupado com o agravamento da tensão social no Quilombo de Morro Alto o ouvidor agrário do Ministério de Desenvolvimento Agrário, Gercino José da Silva Filho realizou, nesta terça feira, 27 de setembro, reunião com o presidente do INCRA, Roberto Ramos, o presidente do presidente da Associação  Comunitária Rosa Osório, Wilson Marques da Rosa e o advogado da comunidade, Onir Araújo.
A reunião tratou do terror social que a comunidade quilombola está vivendo por ação de grupos políticos e econômicos que tem interesses na região e a inexplicável remessa do processo de demarcação e titulação do quilombo para Brasília.
Com a possibilidade de avanço do trabalho de titulação do território com a publicação do Relatório Técnico de Identi­ficação e Delimitação (RTD), em março passado, a fase seguinte seria o das notificações dos invasores, mas, em vez disto, o processo foi para Brasília por pressão de grupos econômicos e políticos. Esta fase não existe no processo de titulação que é definido por normas técnicas e orientações legais.

Wilson Marque fala as autoridades federais e estadual

A reunião desta terça contou com a participação do ouvidor Nacional de Direitos Humanos, Domingos Savio Dresch da Silveira e do procurador do estado, Carlos Cesar D’Eliar. Juntos com o ouvidor Agrário Nacional se comprometeram em pedir o retorno do processo de Brasília para o INCRA gaúcho, e providenciarem medidas para proteger a vida dos quilombolas ameaçados.

Eles esperam que estas medidas acalmem o ambiente para o prosseguimento do trabalho dos técnicos do INCRA regional, e tranqüilizar os quilombolas de Morro Alto.


27 setembro 2011

A trama contra os quilombolas do país
e o golpe contra Morro Alto

A audiência publica realizada no dia 23 passado, na Assembléia Legislativa, e a ocupação da sala do presidente do INCRA Regional pelos quilombolas de Morro Alto, confirmou a afirmação popular de que a justiça não é para pobre. E, no caso, a lei também não.

Na Assembléia Legislativa a luta de Morro Alto
Os invasores do Quilombo de Morro Alto, situado entre Osório e Maquiné, no litoral norte do Rio Grande do Sul, pretendem ficar com aquelas terras usando a força política de serem base do governo federal, apoiados no agronegócio – e outros negócios – e articulando-se para mudar a legislação federal que define a forma de reconhecimento das terras quilombolas. Para isto entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN ), no Superior Tribunal Federal (STF), que está para ser julgada, e com um projeto de lei no Congresso.

Além de, no varejo da luta social dentro e no entorno das comunidades quilombolas, ameaçarem suas principais lideranças, dispondo para isto do apoio de integrantes da Brigada Militar como subsidiária.

Este cenário está em andamento. Deixando marcado quem domina quem, os latifundiários e políticos envolvidos, na tentativa de apropriação das terras quilombolas de Morro Alto, obrigaram a Casa Civil da Presidência e o INCRA nacional a introduzirem uma nova etapa ao processo de titulação daquele quilombo, de forma totalmente fora das normas e da lei. E este é um cenário nacional nos mais de 5 mil quilombos existentes no país.

Histórico
A Comunidade Quilombola de Morro Alto registra secular tradição de luta e resistência contra o Latifúndio. Mas a luta quilombola e negra na maioria dos quilombos, em todo o país, se faz contra os antigos latifundiários agora aliados a grandes empresas interessadas nos financiamentos dos projetos do PAC, como neste caso de Morro Alto. Os projetos, por exemplo, cortaram suas terras pela duplicação da BR 101, mas os quilombolas só tiveram o reconhecimento de direito à compensação após entrarem na justiça com uma Ação Civil Pública contra o DNIT. Mas mesmo com decisão favorável, a medida ainda não foi concluída devido a demora nos procedimentos de consolidação jurídica do Território.

Território e interesses
O Quilombo de Morro Alto é território ancestral da comunidade negra daquela região e vem perdendo tamanho devido as invasões de pequenos agricultores promovidas por latifundiários e políticos que pretendem assim terem aliados. Entre os principais representantes destes grupos estão os deputados federais Elizeu Padilha e Alceu Moreira.

Elizeu Padilha é ex-prefeito de Tramandaí, ex-ministro dos Transportes de FHC. É apontado pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF) como um dos principais articuladores do esquema de tentativa de fraude no inquérito que apura as licitações para a construção das barragens dos arroios Jaguari e Taquarembó, no RS. A parte do inquérito relacionado a Padilha que na tramita no Supremo Tribunal Federal, na ultima eleição ele ficou como o primeiro suplente. Com a nomeação de Mendes Ribeiro para o Ministério da Agricultura do PMDB acaba de assumir o mandato.

Alceu Moreira tem agropecuária em Osório onde já foi duas vezes prefeito e uma vez vice. Apoiado pelo agronegócio, mineração, pecuária foi eleito deputado estadual, sendo nomeado Secretário da Habitação e do Desenvolvimento Urbano no governo Germano Rigotto. No mandato seguinte, já no governo Yeda, foi eleito presidente da Assembléia Legislativa. Neste período o Superior Tribunal Federal autorizou que a Policia Federal o investigasse junto com Eliseu Padilha na operação Rodin, em que R$ 44 milhões foram roubados do Detran-RS.

Nova instância ilegal
Os dois deputados, articulados com os atuais prefeitos de Osório, Maquiné e Tramandaí, juntos com o vice-presidente da república, Michel Temer, pressionaram para que a Civil da Presidência da República orientasse o INCRA nacional a requisitar o processo de titulação do Quilombo de Moro Alto, paralisando sua execução.

O processo para a feitura do Relatório Técnico de Iden­tificação e Delimitação (RTID) levou dez anos. Para que fosse publicado, os quilombolas tiveram que ocupar o INCRA em março do corrente ano, apesar das pressões do próprio INCRA, para que os quilombolas abrissem mão de parte do território herdado de ancestrais, uma área de aproximadamente, 4654 hectares.

Antes da AL, ocuparam o INCRA para protestar

Com o RTID, em vez do INCRA seguir para a próxima etapa, que seria da notificação dos invasores, dando a estes a possibilidade de recorrerem do laudo que fundamentou o RTID, pois há prazo legal para isto, o INCRA regional enviou o processo para Brasília, criando uma fase nova (ilegal) para o reconhecimento do quilombo.

As articulações da conspiração
Neste momento, as ameaças de morte as principais lideranças negras do quilombo se somam as articulação para a votação da ADIN, a suspensão do processo de titulação e a publicação de matérias na grande imprensa caracterizando os quilombolas como intransigentes e improdutivos. Um processo para construir no imaginário da população que existe um conflito por responsabilidade dos quilombolas.

A campanha acirra os ânimos, torna o ambiente belicoso e racista aumentando o potencial de conflito, ao que se soma a conivência do próprio INCRA ao não cumprir com suas atribuições legais.

O governo federal mostra na prática que não respeitas a legislação criada por ele mesmo, nem a existente no plano internacional, que ele subscreve. A OIT – Organização Internacional do Trabalho – define em sua Convenção 169, que qualquer medida administrativa envolvendo comunidades quilombolas, negras ou indígenas não pode ser tomada sem que estas sejam consultadas.

Negociações do mal
O presidente do INCRA regional, Roberto Ramos, pressionado pelos quilombolas que ocuparam as dependências daquele órgão no dia 23 de setembro, antes de seguirem para a audiência pública na Assembléia Legislativa, disse que assumia a responsabilidade pelo encaminhamento do processo para as instâncias superiores, e se negou a dizer quem o tinha requisitado. Ele, entretanto, já está orientado pelo Palácio do Planalto e o INCRA nacional. O processo agora vai depender de diversas negociações políticas, em diversos escalões de poder. Uma destas articulações será uma reunião que o INCRA regional vai promover na primeira semana de outubro, para a qual os quilombolas – foram informados - não estão convidados.

Outra articulação em marcha é a Audiência Pública marcada para o dia 14 de outubro no auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa pela senadora Ana Amélia Lemos, representando a Comissão de Agricultura do Senado. A pauta é a titulação dos Quilombos no estado e no país.

Estes setores se articulam com os que ingressaram no STF com uma ADIN 3239 contra a legislação federal que autoriza o reconhecimento e a titulação dos quilombos. Ao retardarem a titulação de Morro Alto eles, se não derrotarem as possibilidades de titulação dos Quilombos existentes com as atuais negociações com o governo federal, ganham tempo esperando o resultado da decisão do STF e da votação do PDL 44/2007 do deputado Valdir Collato, também do PMDB, mas de Santa Catarina, que propõem o fim desta possibilidade.

Cenários de provocação e morte 
Este cenário político propiciado pelas vacilações e abertura de negociações do governo federal com os invasores das terras dos quilombolas tem acirrado o conflito entre povo negro e invasores em todo país.
Às vésperas da inauguração da nova sede da Associação Comunitária Rosa Osório Marques, seu presidente, Wilson Marques da Rosa, foi ameaçado de morte por três pessoas armadas sendo dois deles policiais militares. A ameaça estendeu-se a possibilidade de incêndio da nova sede. Placas do INCRA foram derrubadas, casas de Quilombolas foram invadidas e até as linhas regulares de ônibus que atende a Comunidade Quilombola foram retiradas.
Este clima de violência não é exclusividade que atinge Morro Alto. Na Bahia, Maranhão, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, ou seja, em diversas regiões do país há registro de aumento do conflito causado pela pressão do poder das grandes empreiteiras, latifundiários, setor financeiro, pecuaristas que continuam se achando donos das terras do país.

Para discutir esta situação geral e exigir posição de apoio e providências do governo federal e de outras instâncias do estado, os quilombolas estarão realizando, dia 29, audiência Pública na Câmara dos deputados, na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, para "Tratar de questões relacionadas a Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.239, que diz respeito ao Decreto 4.887/2003, o qual assegurou conquistas importantes para as comunidades quilombolas".

Os convidados para o debate são Valmir Santos, Presidente do Conselho Quilombola da Bahia; Onir Araújo, Advogado do Movimento Negro Unificado e da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas-RS; Deborah Macedo Duprat de Brito Pereira, Subprocuradora-Geral da República e Coordenadora da 6ª Câmara (Comunidades Indígenas e Minorias) do Ministério Público Federal; Bira Coroa, Deputado Estadual do Estado da Bahia; e Celso Lisboa de Lacerda, Presidente do INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.

No Rio Grande do Sul quilombolas e movimentos sociais pretendem ocupar o INCRA regional em apoio a audiência em Brasília, no mesmo dia 29 de setembro, a partir das 9 horas. 

A luta é por uma nova democracia. Ou, quem sabe, por uma democracia porque isto que está ai ameaça o futuro de todos.


16 agosto 2011

Advogado que luta contra racismo recebe
terceira carta com ameaças

O advogado Onir de Araújo entregou ao Departamento Estadual de Investigações Criminais a terceira carta que recebeu nesta última segunda feira, 15 de agosto, com ameaças desde que assumiu a defesa do caso de racismo ocorrido em Jaguarão, que atingiu o estudante Helder Santos, em março deste ano.
Os policiais do DEIC olham o advogado abrir a carta

Na nova carta, quem faz as amenas diz que “em vários encontros realizados com o Comando Geral, Coronel Sergio Abreu e o Secretário de Segurança, grande amigo Airton Michels, ambos garantiram que o caso está encerrado administrativamente”. E informa que “estão no controle de tudo”.

O caso iniciou numa abordagem da Brigada a estudantes da UNIPAMPA, do campus de Jaguarão. A vítima principal foi o estudante Helder Santos, negro baiano, que passou no vestibular para História. Na cidade gaúcha, ele trabalhava na prefeitura da cidade em programa de assistência social.

Na abordagem policial, um amigo de Helder começou a apanhar, e ele interveio questionando os procedimentos policiais. Helder acusou os policiais de estarem sendo racistas quando o chamaram de negro e bateram nele ainda com mais força. Por sua postura, a polícia foi mais violenta com ele, o algemou, o levou para a delegacia, sob alegação de desacato de autoridade.

Inquérito interno na Brigada constatou as irregularidades cometidas pelos policiais militares. E alguns destes policiais são citados agora nesta terceira carta. Diz o documento apócrifo que “o Sargento Ávila está para ser promovido e o Soldado Osni está sendo muito elogiado”.

A nova carta foi encaminhada, segundo o atendimento no DEIC, para a Regional da Policia Civil de Pelotas, onde o inquérito está tramitando. Até agora não houve anunciou nenhum para conter as ameaças.

Em março, quando o caso começou, o governo do estado, o Ministério Público Estadual e o Governo Federal anunciaram que iriam investigar o abuso de autoridade e formação de milícia denunciada em uma das cartas anônimas. A carta recebida agora foi encaminhada ao DEIC e notificado o Comandante da Brigada, Coronel Sergio Abreu, e o Secretário de Segurança, Airton Michels.

A íntegra da carta anônima diz o seguinte:
“Prezado-Dr. ONÍR, AMANTE DE NEGROS DO BRASIL:
Continue mantendo-o bico fechado...Estamos rastreando todos
seus passos!!!
Em vários encontros realizados com Comandante Geral, Coronel
Sérgio Abreu e o Secretário de Segurança, grande amigo Aírton Michels, ambos garantiram que o caso está encerrado administrativamente e, inclusive, os policiais envolvidos já estão exercendo suas atividades de policiamento ostensivo a mais de um rnês, sem terem sido julgados ou punidos. Já esta tudo certo, eles não serão punidos pela Brigada, eis que todos sabemos que, estas cartas são escritas por Vossa Senhoria e pelo seu cliente, que armaram todo para que ele fosse transferido. Portanto, para seu bem, já que não provocou mais nenhum escândalo com o neguinho sujo, é que o senhor entregue os pontos no judiciário e deixe correr a ação sem se manifestar. Caso contrário, sua carreira estará terminada e mais nenhum nego vai querer ser defendido por você.
Estamos no controle de tudo. Até a professorinha da Unipampa, depois do e-mail baixoti a bola dela.
Não sabe como fez bem para nossa cidade e para a reputação da Brigada, a ocorrência com seu cliente sujo. A cidade ficou mais limpa, o cornando mais fortalecido do que nunca. Somos elogiados nas .ruas. O próprio Sgt Ávila está para ser promovido e o Sd Osni está sendo muito elogiado. Estamos limpando a vagabundagem que o senhor defende.
Contamos, com a sua fiel colaboração...O POVO DE JAGUARÃO É FORTE!!!Como já havia avisado: A BM está do nosso lado! E não esqueceu de você e seus amigos!
JAGUARÃO”

05 agosto 2011

Copa 2014

Os torcedores e moradores cobram direitos e

punição para a corrupção

Foi realizado na Esquina Democrática – cruzamento da av. Borges de Medeiros com a Rua da Praia, em Porto Alegre - o protesto por “Fora Teixeira”, e contra as “remoções” de moradores nas cidades que vão sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014. 
A manifestação foi promovida pela Frente Nacional dos Torcedores, estudantes representados pelo DCE e Funcionários (que estão em greve), da UFRGS, apoio do Comitê Popular da Copa/Centro.
Os protestos trataram para a necessidade da mobilização de torcedores e moradores das cidades onde serão realizados os jogos da Copa, em 2014, e impedir o uso irregular do dinheiro público – mais de 98% dos recursos da Copa serão destinados pelo governo federal –, além de remoções de populações pobres.
Os manifestantes não ficaram só no protesto.
Após o ato na Esquina Democrática, seguiram em passeata até a sede da Federação Gaúcha de Futebol. O objetivo era entregar documento cobrando do presidente da entidade, Francisco Novelletto Neto, para que exerça “imediatamente seu direito de convocação da assembléia Geral com pauta de destituição da Presidência da Confederação Brasileira de Futebol”.
A autoridade máxima da Federação Gaúcha de Futebol não estava presente. Quem recebeu o documento foi o secretário da entidade, Cesar Cabral (na forto acima). Garantiu que, logo que o presidente retornasse de viagem daria retorno.
Protocolado o documento, a comitiva dos Torcedores e Manifestantes foram até o comando do Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar – BOE – protocolar mais uma denuncia. 
João Marques, da Frente dos Torcedores, relatou que no dia 3 de agosto, quarta feira, após o Grêmio e Atlético Mineiro, pelo campeonato Brasileiro, a Brigada Militar agiu de forma truculenta contra a torcida e moradores do entorno do estádio Olímpico, onde se realizou o jogo.
A Brigada se achou no direito de expulsar a todos que estavam Av. Azenha, fechando bares, mandando todo mundo ir para casa. Inclusive quem nada tinha a ver com o jogo.
O documento, entregue ao Capitão Luciano Boeira, comandante do BOE, lembrou que a ação lembrava as operações da época da Ditadura Militar.
O Capitão Boeira (na foto acima) recebeu o documento e esclareceu que aquela ação talvez não tenha sido executada pelo BOE, pois outras divisões da Brigada Militar tem os mesmos equipamentos e a função de seu batalhão é dentro do estádio. Mas encaminhará o documento dos torcedores para o comando geral para ser analisado e, se for o caso, providências sejam tomadas.
Os torcedores e manifestantes fecharam a manifestação do dia de protesto reafirmando o “Fora Ricardo Teixeira”, e por uma Copa que respeite os direitos das populações e torcedores.

03 agosto 2011

As armas da guerra


A guerra está armada


Professores e governo Tarso

Os professores e demais funcionários públicos do estado declaram guerra aberta contra o governo estadual. No caso dos professores, os motivos estão na entrevista abaixo concedida pela presidente recém reeleita para o Cpergs/Sindicato, Rejane Oliveira.

O funcionalismo estadual perdeu a votação na Assembléia Legislativa que aprovou as medidas apresentadas pelo governo estadual, no que caracterizaram como “Pacotarso”, mas, não perderam o horizonte da luta, nas diversas conjunturas anteriores, no pós redemocratização. E, assim, contribuíram para que nenhum governante se reelegesse.


A professora Rejane Oliveira, acaba de ser reeleita presidente do CPERS/Sindicato e deu entrevista para este blog e afirma que os trabalhadores na educação do Rio Grande do Sul vão lutar contra o governo Tarso por este não respeitar direitos destes trabalhadores.

Diz ela: “O governo Tarso está rompendo compromissos e acordos com a nossa categoria quando não paga o piso, ataca as carreiras e tenta implementar a meritocracia. Para impedir isso, nós vamos enfrentar o governo”.

Para fazer esta luta, diz ela, estamos nos preparando. "Pretendemos construir uma articulação social que discuta a educação e dê a ela a força necessária para fazer com que os governos deixem de dizer que educação é fundamental sem tomar medidas que concretizem esse discurso. Um movimento em defesa da educação pública. Não temos ainda um nome para este movimento, mas será algo que unificará a sociedade na luta pela educação. Contudo é algo que ainda está sendo elaborado”.

O calendário de luta que está sendo indicado é:


- Mobilização com visitas às escolas entre os dias 1° e 16 de agosto;


- Um dia de paralisação em 19 de agosto, com o lançamento do movimento em defesa da educação pública e posse das direções central e de núcleos, em Porto Alegre;


- Realização de caravanas pelo interior.

Tudo isso tendo como eixos a implementação do piso, a defesa das carreiras e contra a meritocracia.

Rejane rebate as afirmações feitas por membros do executivo e legislativo que disseram que os trabalhadores do estado não apresentaram alternativas para superar o déficit publico. Ela mostra que “durante a campanha eleitoral não houve uma polarização sobre a mentira do déficit zero apresentado pela ex-governadora Yeda Crusius. A linha de campanha do governador eleito foi a de não atacar ninguém. Então, aceitou a história do “déficit zero”. Agora, não pode jogar as mazelas do governo nas costas dos trabalhadores”.

Ela afirma que “foram mostradas como alternativas a necessidade de enfrentar a dívida com a União e a política de isenções e sonegações de impostos, ausência de política para cobrar os grandes inadimplentes, alterar as concessões fiscais. Além da questão estadual, ligadas as questões nacionais, sugerimos que houvesse enfrentamento da dívida com o governo federal, além de atacar o auxílio-moradia de juízes e procuradores que hoje é de R$ 7 mil por mês”.

Sobre as diferenças de tratamento que o CPERS/Sindicato percebe dos governos anteriores, do período da redemocratização para cá, Rejane diz:

- Vamos falar do governo Rigotto. Ele pretendia jogar nas costas dos trabalhadores as dificuldades financeiras do estado. Como todos os outros, não disse isto durante a campanha eleitoral. Propôs aumentar os impostos e arrochar os salários dos servidores. A Yeda foi mais truculenta. Ela veio com o déficit zero. Zero para quem? Quis alterar o nosso Plano de Carreira e degradou a educação. O governo Tarso também joga nas costas dos trabalhadores os custos do déficit público. Ele não reconhece o rombo da previdência como uma dívida para com os trabalhadores, vítimas de anos de política que desviou recursos do caixa da previdência. Essa é a origem do que o governo chama de “desequilíbrio insustentável”. A política apresentada pelo governo para resolver a crise não é diferente da aplicada por outros governos: cria fundo de capitalização, aumenta a contribuição dos servidores públicos e reduz o pagamento das Requisições de Pequeno Valor (RPV’s). O déficit está jogado unicamente nas costas dos trabalhadores. O fundo de capitalização tem como objetivo colocar no mercado títulos públicos, privatizando a parte social da aposentadoria. Hoje o regime é contributivo e solidário entre gerações, o que o governo aprovou foi jogar a contribuição dos servidores na ciranda financeira, sem nenhuma garantia de aposentadoria aos novos e aos atuais servidores.

Sobre a composição e política que acaba de reeleger a nova diretoria do CPERS/Sindicato, qual a diferença nestas conjunturas diferentes, desde o governo Olívio, Rejane diz que a composição se alterou. “Tínhamos uma composição que era cutista. Depois eram cutistas e independentes. Depois, já no governo Rigotto, tivemos a participação da Intersindical. Agora, alem do setor cutista, temos a CSP-Conlutas e agregamos a CTB. Nosso critério foi juntar com aqueles que querem lutar com autonomia e independência em relação a governos e partidos”.

Ela termina dizendo que a categoria tem, com este arco de aliança, “uma democracia que garante as relações, pois todos participam das decisões. Há respeito à participação. A democracia interna é fundamental para a unidade”.

28 julho 2011

O estado das coisas
CPT do Maranhão pede socorro


Carta-Denúncia de Diogo Cabral, advogado


da Pastoral da Terra do Maranhão

Hoje, eu, advogado da CPT Maranhão e padre Inaldo Serejo, estivemos no município de Cantanhede, Maranhão, aproximadamente 200 km de São Luis, para realização de audiência preliminar do processo de n 3432010, onde os autores são trabalhadores rurais quilombolas do Quilombo de Salgado, município de Pirapemas, e os réus latifundiários da região, cujos nomes são Ivanilson Pontes de Araujo, Edmilson Pontes de Araujo e Moisés Sotero. Estes homens perseguem os trabalhadores quilombolas desde 1981 e, ano passado ingressaram com ação de manutenção de posse contra estes fazendeiros, pois os mesmo destruíram roças, mataram animais, áreas de reserva, cercaram os acessos as fontes de água, alem de ameaçarem se morte os trabalhadores.

Em 7 de outubro de 2010, após audiência de justificação previa, foi concedida manutenção de posse em favor dos quilombolas, uma área de 1089 hectares. Ainda assim, os réus continuaram a turbar a posse dos trabalhadores, realizando incêndios criminosos, matando pequenos animais, abrindo picadas na floresta, etc... Não satisfeitos, com a mudança de juiz da comarca e com a entrada de um novo, por nome Frederico Feitosa, os fazendeiros ingressaram com uma ação de reintegração de posse contra as famílias, que foi deferida em 24 minutos, alterando a posse, no dia 6 de julho.

Eu tive ciência da ação no momento em que pesquisava sobre meus processos naquela comarca.... No dia seguinte fui com padre Inaldo na comarca de Cantanhede, tomei ciência da decisão e agravei. Dia 18 de julho foi concedido efeito suspensivo através do agravo aquela decisão que reintegrava a posse em favor dos fazendeiros... Pois bem, hoje, quando chegava naquela comarca, para realização de audiência preliminar, o fazendeiro Edmilson Pontes de Araujo esbravejava na porta do fórum de que 'era um absurdo gente de fora trazer problema para o povoado, que era uma vergonha criar quilombo onde nunca teve nada disso ( se referindo a mim, ao Inaldo e ao agente da CPT Marti Micha, alemão naturalizado brasileiro).... E por isso que a gente tem que passar o fogo de vez em quando, que nem fizeram com a Irma Doroty!'

Camaradas, a CPT Maranhão tem enfrentado de tudo: duas vezes foi arrombada, onde levaram documentos e HDs, ligações ameaçadoras e agora mais esta ameaça contra três agentes pastorais.

Peço aos companheiros que possam espalhar essa mensagem por suas listas, porque eu, Diogo Cabral, advogado da CPT e padre Inaldo, coordenador tememos por nossas vidas! Mas apesar das ameaças, não recuaremos um milímetro!!!

Diogo Cabral advogado da CPT Maranhão